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O poder da decisão
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Por Laura Cavalcanti, psicóloga* redacao@bemleve.com.br Quem já não ouviu falar “Sou assim mesmo, não tem jeito. Toda vez que me vejo nessa situação não aguento e desconto na comida”? Reconhece o discurso? Parece familiar? Você também fala assim? Então, precisamos conversar. Que tal? Primeiro de tudo, não é “assim mesmo”, não! Pode ser diferente. Talvez você queira dizer que é muito difícil mudar um padrão de comportamento. Quando você percebe, já aconteceu, não é mesmo? Sei como se sente. É como se lhe faltasse a condição de decidir. Calma, tem um lado bom em tudo isso. Você está aqui e sua presença, nesse momento, é a maior prova de que existe luz no final do túnel. Você não desistiu. Tem uma razão para que a sua persistência fale mais alto aqui e agora – ela existe e tem força. Em geral, funcionamos em dupla dimensão psicológica. Um lado nosso sempre persiste, enquanto o outro nos impulsiona para a desistência. Temos padrões de comportamento bem específicos que atendem esses dois senhores. No entanto, é preciso ter a clareza de que, independentemente do caminho que cada dimensão escolha, as duas têm o mesmo objetivo – realização – por mais estranho que possa parecer. A realização é o foco único do ser humano, sempre! Não concorda? Pare e pense: você, quando acorda, diz para si “Hoje vou me empenhar para sair da dieta”? É claro que não. Intuitivamente, mesmo nos dias sombrios, você quer REALIZAR positivamente. Sua dimensão persistente vai lhe ajudar a fazer escolhas inteligentes, permanecendo atuante com seus padrões de comportamento produtivo. Resultado: REALIZAÇÃO! OK, mas o que será que acontece naquelas situações em que você não aguenta mais e desconta na comida? Simples: você também quer REALIZAR! Lamentavelmente, utilizando seus padrões improdutivos. Resultado: FRUSTRAÇÃO! Respire fundo e reflita. Volte exatamente naqueles momentos em que você “descontou na comida”. Descontou o que? O que sentia? Do que precisava? Provavelmente, precisava de apoio, atenção, reconhecimento. De alguma forma, em algum momento da sua vida, houve um registro emocional que associou comida à realização. É como se o aconchego desejado tivesse sido experimentado na parceria com a comida. Então, ficou demarcado que, sempre que você estiver naquela situação, vai recorrer ao apoio dela. Isso, no entanto, não é uma verdade absoluta. É somente um padrão de comportamento improdutivo e, como tal, pode ser transformado. Basta acreditar e usufruir da sua dimensão persistente, construindo escolhas inteligentes. *Laura Cavalcanti é psicóloga com especialização em análise existencial e psicoterapia breve. É formada em Relaxação Terapêutica (Método Bergès-Bounes), Teoria e Clínica Psicanalítica e Transtornos Alimentares e Obesidade. É criadora e fundadora do projeto Emagrecer dói? - Grupo de Apoio Emocional, que atende pacientes com dificuldades de emagrecimento e do projeto Aghora, que oferece atendimento especializado em Psicoterapia Breve em diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro.
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