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De olho na tireóide
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Por Denise Rosso, endocrinologista* redacao@bemleve.com.br Começa hoje a Semana Internacional de Conscientização sobre a Tireóide, que vai do dia 25 ao dia 31 de maio em 65 países, inclusive no Brasil. Estima-se que 300 milhões de pessoas em todo o mundo tenham problemas na tireóide, mas muitas delas não sabem disso por falta de informação sobre os sintomas e sobre os impactos das disfunções tireoideanas, que, aliás, atingem de cinco a oito vezes mais as mulheres do que os homens. Por isso, é hora de se informar... para se prevenir! A tireóide A tireóide é uma glândula endócrina situada na parte anterior do pescoço, logo abaixo do chamado “pomo de adão”, tem forma comparada à de uma borboleta e pesa pouco mais de 20g, sendo facilmente palpável. Ela desempenha um papel fundamental no organismo, participando da regulagem do metabolismo e do funcionamento de praticamente todos os órgãos. Dois hormônios produzidos na tireóide – a tiroxina e a tri-iodotironina – controlam, juntos, a velocidade com que o organismo queima energia e a velocidade com que acontecem todas as reações do nosso corpo. Assim, é essencial que a glândula esteja funcionando bem, uma vez que o aumento ou a diminuição na quantidade de hormônios tireoideanos é capaz de causar grande desequilíbrio no organismo, levando a complicações como ataques cardíacos, derrame, infertilidade e até aborto. O hipotireoidismo Atualmente, o hipotireoidismo é o distúrbio mais comum relacionado à tireóide, acometendo de 1 a 3 % da população em geral e sendo uma das queixas mais frequentes nos consultórios de endocrinologia. A doença ocorre quando há diminuição da produção e/ou da secreção dos hormônios tireoideanos, resultando em uma desaceleração generalizada do metabolismo corporal. As causas mais comuns do hipotireoidismo são: 1) Inflamação crônica da tireóide, chamada tireoidite ou Doença de Hashimoto. Ela tem traços genéticos e é auto-imune, se caracterizando pela produção exagerada de anticorpos que agridem a própria glândula. 2) Manifestações pós-cirúrgicas (retirada parcial ou total da glândula). 3) Tratamentos prévios dos casos de hiperfunção da glândula (hipertireoidismo). Pessoas com hipotireoidismo podem se sentir cansadas facilmente (até mesmo durante as atividades básicas do dia-a-dia), deprimidas, ganhar peso inexplicavelmente, ter dor nas articulações, câimbras, períodos menstruais irregulares, queda de cabelo, prisão de ventre, unhas quebradiças, perda de libido, sonolência durante o dia ou insônia, entre outros sintomas. A longo prazo, doença cardíaca, psicose, e até mesmo o coma podem ser consequências da doença, se esta não for devidamente tratada. O hipotireoidismo leve, embora não diminua a fertilidade, pode diminuir a chance de engravidar ou de se manter a gestação. É recomendado, portanto, que as gestantes ingiram 250 mg de iodo por dia. Já as mulheres não grávidas deveriam ingerir 150 mg por dia. O iodo geralmente se encontra adequadamente distribuído no sal iodado e nos frutos do mar, sendo a matéria-prima para a formação dos hormônios tireoideanos. O hipertireoidismo Ocorre quando há um aumento da produção e/ou da secreção dos hormônios tireoideanos, podendo causar os seguintes sintomas: agitação, insônia, alteração de humor, queda de cabelo, diarréia, perda de peso importante (maior do que 6 Kg em um mês) e unhas enfraquecidas. O aumento da região do pescoço, também conhecido como bócio, pode ou não ser observado tanto no hipo quanto no hipertireoidismo. Prevenção e tratamento As disfunções tireoideanas independem de sexo e idade, podendo acometer qualquer um de nós. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e são comuns a outras doenças, o que significa que o diagnóstico correto deve ser feito através de exames específicos. Se ficar sem tratamento, as disfunções da glândula podem levar a complicações mais sérias e a problemas de saúde de longo prazo. Um exame de sangue simples, de dosagem do TSH (hormônio estimulador da tireóide) e T4L (tiroxina), solicitado por um médico endocrinologista ou clínico geral é capaz de dar o diagnóstico. Portanto, se você anda sentindo alguns dos sintomas, não deixe de ir ao médico para que ele possa examiná-la e solicitar os exames corretos. O tratamento do hipotireoidismo é feito com a reposição de hormônio tireoideano e deve ser orientado individualmente pelo especialista, assim como o hipertireoidismo tem diferentes opções de tratamento que devem ser adequadas a cada pessoa. * Denise Rosso é endocrinologista pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Nutrologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)e professora do Curso de Pós-Graduação de Endocrinologia pelo IPEMED – BH
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