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Por Isabelle Lindote
isabelle@bemleve.com.br
Muita gente já se perguntou se desejo de grávida é de fato uma coisa real e explicada fisiologicamente ou se não passa de superstição ou efeito psicológico. O fato é que, de acordo com alguns especialistas, aquela vontade enlouquecida de comer uma jaca durante a madrugada não passa de uma questão psicológica. De acordo com a psicóloga e criadora do método de
emagrecimento Forma Leve, os desejos das gestantes estão ligados diretamente a sensações como a solidão e a insegurança típicas desse momento da vida. “Isso acontece porque, inconscientemente, a grávida se vê muito sozinha durante a gravidez e com isso pretende envolver as pessoas que estão ao seu redor de alguma forma. E, na maioria das vezes, a mãe pretende com isso, não conscientemente, envolver principalmente o pai da criança”, explica Yara.
E não é porque a
mulher está grávida que pode se permitir extrapolar os limites. Essas vontades loucas que muitas mulheres sentem podem ser até prejudiciais à saúde da futura mãe. A gestação é um momento delicado e requer cuidados especiais, principalmente quando o assunto é a alimentação. Há uma relação direta entre o que a mãe come e a saúde do bebê, tanto na vida intra-uterina como no futuro. Além disso, a
obesidade na gravidez é um problema comum e perigoso. Cerca de 45% das mulheres obesas no mundo ganharam peso após a gravidez. Para Yara Daros, a fome não é apenas uma necessidade fisiológica e todo cuidado é pouco. “A fome, tanto na gravidez como em períodos regulares da vida, pode facilmente estar associada a alterações psicológicas e emocionais, como períodos de ansiedade e fragilidade, que podem levar à compulsão alimentar. Neste período, o cuidado deve ser redobrado, já que a alimentação interfere na saúde da futura mãe e do seu filho”, diz a psicóloga.
Segundo o RDI (Recommended Dietary Intakes), tabela com as recomendações universais sobre alimentação, gestantes a partir do terceiro mês de gravidez devem ingerir apenas 300
calorias a mais do que o normal, totalizando 2.800 calorias por dia. Considera-se que as gestantes de baixo peso ganham em torno de 15 kg; as de peso adequado, entre 10 a 12 kg; e as com sobrepeso ou obesas, entre 6kg e 7kg
“Ganhar peso excessivamente no período gestacional ou iniciar esse período com sobrepeso ou obesidade são fatores de risco para complicações como
diabetes, hipertensão e pré-eclâmpsia, principalmente no final da gestação. Esses males são duas a seis vezes mais comuns em mulheres com excesso de peso. O fato de se estar grávida e de ter lapsos de desejos não pode servir como justificativa para o aumento excessivo de peso durante este período” ressalta Yara.
De acordo com a psicóloga, as mulheres que ganham muito peso durante a gestação têm hábitos alimentares ruins e que, possivelmente, vão continuar depois do nascimento do bebê. “Para as gestantes que iniciam a gravidez com sobrepeso ou obesidade, nenhum aumento calórico é recomendado”, explica. Yara complementa que, no entanto, o período de gestação não é o mais adequado para
emagrecer e é fundamental que a
gestante com sobrepeso receba orientação alimentar adequada para não colocar a sua vida e a de seu bebê em risco.
Yara trabalha com distúrbios alimentares há 11 anos e já ajudou mais de cinco mil pessoas através do sistema de
tratamento do Forma Leve. O método, que combina reeducação alimentar e tratamento psicológico para controle da ansiedade, está criando uma turma especial para futuras mamães com problema de sobrepeso.